EVALI: saiba mais sobre a condição que pode surgir a partir do uso de cigarros eletrônicos – Portal de Notícias | Hospital Edmundo Vasconcelos
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EVALI: saiba mais sobre a condição que pode surgir a partir do uso de cigarros eletrônicos

data:2 de maio de 2022

Mesmo sem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os cigarros eletrônicos vêm ganhando adeptos no país, em grande parte pela concepção de que o produto não é prejudicial à saúde. Mas, apesar das características físicas e sensoriais diferentes das do cigarro convencional, o produto traz sim riscos e pode até resultar no desenvolvimento de uma doença específica, a EVALI – lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico ou vaping.

Segundo a pneumologista do Centro de Medicina Torácica do Hospital Edmundo Vasconcelos, Marina Dornfeld Cunha Castro, a doença é caracterizada por uma lesão pulmonar que causa manifestações clínicas muitas vezes inespecíficas, porém potencialmente graves. “Os sintomas são diversos e vão desde manifestações gerais como febre, calafrio, fadiga e perda de peso até problemas gastrointestinais como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. E, pela inflamação pulmonar, o quadro pode vir acompanhado de falta de ar, dor torácica e tosse – por vezes com sangue”, comenta.

A médica conta que a evolução dos pacientes a partir do diagnóstico e do início do tratamento tende a ser satisfatória, porém não se deve descartar a possibilidade de agravo, com evolução para insuficiência respiratória e necessidade de tratamento em terapia intensiva, ou mesmo levar à morte. “A definição de caso de EVALI considera o uso do cigarro eletrônico nos 90 dias que antecedem o início do quadro clínico, de acordo com o que é preconizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA”, diz.

Para quem, ainda assim, avalia a hipótese do uso dos cigarros eletrônicos, a médica destaca que é importante considerar outros potenciais danos à saúde, além da EVALI. Isso se deve à composição do produto, que contém diversas substâncias nocivas e tóxicas para as células e genes, com efeitos irritantes e carcinogênicos. “A inalação destas substâncias leva a condições respiratórias agudas e potencialmente crônicas, como o enfisema, além de aumentar os riscos de doenças cardiovasculares e câncer”, alerta a médica.

Dra. Marina reforça ainda os riscos do uso dos cigarros eletrônicos entre os jovens: “Os milhares de aromatizantes e saborizantes que podem ser adicionados ao líquido aumentam a taxa de experimentação e perpetuam o uso. Aliados às elevadas concentrações de nicotina, alguns dispositivos causam altíssimo potencial de instalação ultrarrápida de dependência”, conta. Tudo isso contribui para a manutenção do uso e leva à uma porta de entrada para o fumo de cigarros convencionais e ao uso duplo”.

Outras complicações são enfatizadas pela médica, que traz o alerta principalmente aos mais jovens. “Para este público, o consumo contínuo implica alterações no desenvolvimento cerebral, com danos a longo prazo na memória, capacidade de atenção e de execução de atividades. Pode ocorrer também intoxicação nicotínica por vaporização excessiva ou ingestão acidental ou intencional do líquido dos cigarros eletrônicos. Sem esquecer o risco de lesões potencialmente graves como queimaduras pela explosão da bateria do produto”, finaliza.

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